Split payment: o que é, quando começa e como afeta o caixa da empresa
O imposto deixa de passar pelo caixa da empresa. Isso muda capital de giro, preço e conciliação.
Split payment (pagamento dividido) é o mecanismo da reforma tributária que separa a CBS e o IBS no momento em que o cliente paga e manda essa parte direto para o governo. A empresa recebe só o valor líquido. Segundo a Receita Federal, ele começa em 2027, de forma gradual e opcional, primeiro nas operações entre empresas (B2B), com Pix, boleto, TED e TEF. A obrigatoriedade no B2B tende a ficar para 2028, e o varejo ao consumidor vem depois.
Como funciona, na prática
- A empresa emite a nota fiscal com a CBS e o IBS destacados.
- O cliente paga por um meio eletrônico (Pix, boleto, TED).
- A instituição de pagamento identifica a nota, separa a parcela dos tributos e envia ao governo.
- A empresa recebe o restante na conta.
Exemplo simples: venda de R$ 10.000 com R$ 2.000 de CBS e IBS. Hoje entram R$ 10.000 no caixa e o imposto é pago depois, na guia do mês seguinte. Com o split payment, entram R$ 8.000 e os R$ 2.000 já vão direto para o governo.
Quando começa
| Fase | O que acontece | Quando |
|---|---|---|
| 1 | Opcional, só entre empresas (B2B), com Pix, boleto, TED e TEF | A partir de 2027 |
| 2 | Obrigatório no B2B | Quando o modelo estiver estável; a Receita fala em 2028 |
| 3 | Vendas ao consumidor final (B2C) e cartões | Sem data oficial |
O cronograma depende da adaptação dos bancos e das instituições de pagamento e ainda pode mudar. Em outubro de 2026, não há data oficial para as fases 2 e 3.
O impacto no caixa
- Capital de giro: hoje o imposto fica no caixa por algumas semanas, até o vencimento da guia. Com o split payment esse dinheiro deixa de passar pela empresa. Quem usa esse prazo para girar o negócio precisa se planejar.
- Crédito mais rápido: do outro lado, o modelo foi pensado para devolver créditos com mais agilidade, porque o governo enxerga o pagamento na hora.
- Conciliação: o valor que cai na conta deixa de bater com o total da nota. O financeiro precisa conciliar pagamento, nota e imposto retido, nota por nota.
- Preço e contratos: vale revisar como o preço é formado e se os contratos têm cláusula para mudanças de tributação.
Como se preparar desde já
- Projete o fluxo de caixa de 2027 e 2028 com o recebimento líquido.
- Converse com o banco sobre como ele vai operar o split payment.
- Garanta que toda venda tenha nota fiscal correta: é a nota que diz quanto separar.
- Organize as notas e os pagamentos no mesmo lugar, para conciliar sem planilha paralela.
No GEDAII, cada nota fica ligada ao seu boleto e à agenda de pagamentos, que já mostra o valor líquido das retenções. É a mesma conferência que o split payment vai exigir.
Fontes
- Lei Complementar 214/2025.
- Omie: Receita Federal sinaliza obrigatoriedade do split payment para 2028
- Contábeis: split payment começa em 2027 e será opcional no B2B
Perguntas frequentes
O que é split payment?
É o pagamento dividido: no momento em que o cliente paga, a parte da CBS e do IBS é separada e vai direto para o governo, e a empresa recebe só o valor líquido.
Quando o split payment começa?
A partir de 2027, de forma gradual e opcional, nas operações entre empresas. A Receita Federal sinaliza a obrigatoriedade no B2B para 2028. As vendas ao consumidor final ainda não têm data.
Quais meios de pagamento entram primeiro?
Pix, boleto, TED e TEF. Os cartões devem entrar depois.
O split payment aumenta o imposto?
Não. Ele muda o momento e a forma do recolhimento, não a alíquota. O efeito principal é no fluxo de caixa, porque o imposto deixa de ficar com a empresa até o vencimento da guia.
Conteúdo informativo, atualizado em 22/10/2026. Prazos e regras da reforma ainda podem mudar; confirme a aplicação no seu caso com o seu contador.